Recém-publicado

Mulheres no Campo: mangalarguista Maria Ruth Villela de Andrade

Ruth Villela de Andrade

Por: Elaine Valdez / Rural Centro
Editoria: Geral

a9Contar a história da raça Mangalarga equivale a falar sobre a história da família Junqueira. Foram eles os primeiros criadores.O início da seleção da Raça Mangalarga foi na fazenda Campo Alegre, em Baependi, hoje município de Cruzília (MG). Do sul de Minas a raça foi para São Paulo por volta de 1812. Os animais provenientes destes acasalamentos se constituíram nos formadores da Raça Mangalarga. Descendente destes precursores, a entrevistada da semana da série Mulheres no Campo é a criadora Maria Ruth Villela de Andrade. Conheça mais sobre esta mulher que batalha em prol do campo e da divulgação do estilo de vida dos mangalarguistas:

Rural Centro – A fazenda e a raça mangalarga estão na sua família há várias décadas, passando de geração em geração. Conte para gente como foi sua infância, suas primeiras impressões sobre o campo e, principalmente, sobre o mangalarga?

Ruth Andrade – Minha infância foi sempre na fazenda, aprendi desde muito cedo a amar e respeitar a vida no campo. Tive um aprendizado focado sempre nos reais valores, como simplicidade, humildade, trabalho e respeito a si e ao outro. Sempre fui muita curiosa e portadora de uma vontade imensa de aprender tudo. Com minha avó paterna, além da fé, aprendi a fazer os tradicionais doces e “quitutes” de nossa família e a valorizar, acima de tudo, a nossa trajetória, a nossa tradição. Daí vem a minha paixão pelos cavalos.

Eu era ainda muito menina, mas tenho vagas lembranças de “fugir do casarão” e sair para os pastos com uma cordinha nas mãos para ir buscar os cavalos… Era quase uma fixação, algo indescritível! Acho que deve ser genética mesmo. O Mangalarga está em nossa família desde sempre. Somos descendentes dos precursores da Raça Mangalarga. Nossa família veio de Minas Gerais para São Paulo em busca de novas e planas terras. Gado e agricultura sempre foram o nosso trabalho. Meu avô acordava às 4 horas da manhã todos os dias, tomava seu prato de farinha de milho com leite e goiabada e saia em seu Mangalarga Baio amarilho para contar o gado e assistir a tirada do leite. Eu de cima do terraço admirava e sentia muito orgulho de estar ali, vivenciando uma das mais lindas historias de nosso País: a história de nossa Raça Mangalarga.

RC – E o que te motiva a prosseguir no investimento e divulgação desta raça?

RA – Eu seria hipócrita em não dizer a verdade. Minha maior motivação hoje é a continuidade do trabalho de seleção de 60 anos de meu pai que envolve características como andamento, comodidade, docilidade e rusticidade. Mas em segundo plano existem outras tantas coisas, entre elas o meu amor pela raça, a certeza de poder levar o nosso cavalo para o mundo. Meu projeto é focado em um treinamento esportivo visando o aproveitamento máximo do potencial de nossos cavalos, como a equitação de trabalho, o horseball e a caçada esportiva, que nada tem a ver com matança de animais, e sim com treinamento de cavalos para a lida no campo e com a capacidade máxima deste em mostrar sua inteligência.

RC – A frente do blog Mangalarga Style, que em menos de um mês no ar já teve mais de três mil acessos, acredita que a tecnologia veio mesmo para unir interesses e aproximar semelhantes estejam eles onde estiverem?

RA – Eu iniciei o blog Mangalarga Style com o intuito de divulgar não apenas a nossa raça, mas de unir os amigos e afins. Além de ter a oportunidade de colocar nele tudo que nós, mangalarguistas de coração e tradição, fazemos e de que forma fazemos. A ideia é mostrar a lida dos animais das fazendas e haras, além de divulgar o modo de vida do mangalarguista, as vestimentas, a moda camponesa, as receitas deixadas por nossas tradicionais famílias, as festividades, as reuniões, o convívio com os amigos, enfim, um relato de nossa vivência e de nosso dia a dia no campo. O curioso é que em apenas um mês de vida ultrapassamos os 3 mil acessos. Sem dúvida, a tecnologia é a maior aliada. Sem ela não teríamos como mostrar ao mundo como é a rotina de um mangalarguista, nossos eventos, nossa história e nossa tradição.

RC – E nesta sua caminhada, o que considera mais difícil?

RA – O mais difícil entre tantos obstáculos são as pessoas. Explico: em primeiro lugar ainda não temos um centro de treinamento para ginetes, cavalariços e afins. Em segundo lugar vem a falta de incentivo por parte do governo para o homem do campo. Vemos hoje que as grandes cidades estão abarrotadas de gente, entre pedintes, assaltantes, favelados, camelôs (nada contra), mas gente que poderia estar trabalhando dignamente no campo com uma qualidade de vida maravilhosa tanto na alimentação quanto na educação e na cultura. Vejo isto como uma grande ameaça para nós que trabalhamos no campo.

Não vejo com bons olhos a atitude dos governantes que querem “raptar” psicologicamente e energeticamente, através da ilusão da mídia, de que na cidade grande tudo é lindo e fácil. Querem arrancar o já extinto homem do campo para as cidades. Um exemplo disso são estes projetos ridículos de submundo, como este “Minha casa, minha vida”, que tira o trabalhador do campo para vir para a casa própria na cidade, sem que este tenha tido nenhum preparo, nem físico e nem mental. Enfim… Vamos deixar este assunto para um próximo encontro. Mas gostaria de ressaltar que estou pronta pra lutar pelo homem do campo e que estou disposta a, inclusive, brigar politicamente (no bom sentido) se for preciso, por nossos ideais de uma vida digna e também de nossos quase extintos colaboradores.

RC – Como definiria o estilo de Vida Mangalarga?

RA – Precisaríamos de algumas páginas para isso. A vida do mangalarguista, resumidamente é uma vida de muito trabalho, porém, de muitas alegrias. É estar sempre pronta para um novo dia, muitas surpresas, muitas dificuldades, desafios, mas muitas conquistas. A mulher mangalarguista hoje ocupa um belíssimo papel no cenário nacional. Estamos inclusive nos preparando para um nobre e árduo trabalho que é, além de divulgar a cultura do cavalo, também incrementar a parte esportiva, fashion e competitiva. Estamos com vários projetos, inclusive alguns em nível Internacional para levarmos nosso raça ao conhecimento de um número vez maior de consumidores e admiradores deste cavalo funcional.

RC – Como consegue se dividir entre a Raça Mangalarga e fazer parte do Núcleo de Mulheres do Agronegócio?a10

RA – Eu ainda não lhe contei que sou artista plástica e dediquei quase 30 anos de minha vida à arte. De uns doze anos para cá, e de uma forma mais intensa após a morte de meu pai, eu me voltei para o trabalho no campo. Nós criamos um gado exótico japonês que se chama Wagyu, ovelhas leiteiras alemãs da Raça East Friesian e cavalos Mangalarga. Não tenho filhos, mas tenho meus cachorrinhos (Puppy e Fred,) que me acompanham todos os dias de minha vida há 5 anos. O segredo é se organizar para dividir o tempo e conseguir sempre fazer tudo com muita dedicação, porque acima de tudo estamos sempre fazendo com amor.

RC – Quais os planos e próximos projetos?

RA – Em primeiro plano está a minha decisão de me dedicar mais intensamente ainda a nossa Raça Mangalarga. Estamos nos organizando para iniciarmos o ano com nosso projeto de equitação de trabalho, um treinamento muito intenso de cavalos e cavaleiros com provas principalmente focando a mulher e as crianças, além de outros tantos projetos que já estão em andamento, como levar o nosso Mangalarga para cavalgadas na Europa (a primeira deverá ser em Portugal, estão todos convidados!). E também uma confecção de roupas e botas criadas especialmente para a nossa raça com o objetivo de proporcionar mais conforto e comodidade para a lida e montarias em geral. Tem mais, porém, vou guardar para uma próxima entrevista que espero que seja em breve. Mas deixo aqui a todos vocês, amigos e amigas, o meu convite: Venham passar um dia conosco e conhecer na prática como é a vida de uma mulher apaixonada pelo cavalo mangalarga e fazer um test drive no mais inteligente e confortável cavalo de sela Brasileiro.

Saiba mais visitando o Blog Estylo & Campo »» 

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