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Governo de Boris Johnson perde maioria no Parlamento do Reino Unido

O deputado Phillip Lee passou para a bancada dos Liberais Democratas enquanto o primeiro-ministro falava na Câmara dos Comuns. Lee acusa o Partido Conservador de “alimentar as divisões e o populismo. Publico/Alexandre Martins.


O Governo do primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, perdeu a curta maioria que ainda tinha no Parlamento, na tarde desta terça-feira, quando o deputado conservador Phillip Lee saiu da sua bancada e foi sentar-se ao lado dos Liberais Democratas.

Com a passagem de Lee para os Liberais Democratas, o Governo de Boris Johnson passa a contar apenas, em teoria, com 319 votos: 309 do Partido Conservador e dez dos unionistas da Irlanda do Norte.

A oposição conta agora com 320 deputados: 247 dos Trabalhistas, 35 do Partido Nacional Escocês, 16 dos Liberais Democratas e 22 de outros partidos e independentes. Há ainda 11 membros da Câmara dos Comuns que não votam – sete abstencionistas do Sinn Féin, o presidente e os três vice-presidentes.

“Sem princípios”

Opositor do “Brexit” e apoiante de um segundo referendo, Phillip Lee abandona o Partido Conservador ao fim de 27 anos, dizendo que o partido para o qual entrou em 1992 não é o mesmo que Boris Johnson chefia.

“Este Governo conservador quer um ‘Brexit’ prejudicial, e está a tentar obtê-lo de uma forma sem princípios”, disse Lee num comunicado muito crítico em relação a Johnson.

“Está a pôr as vidas das pessoas em risco de forma desnecessária e está a pôr em perigo a integridade do Reino Unido. E, para além disso, está a minar a nossa economia e a nossa democracia, e também o papel do nosso país no mundo.”

Num comunicado em que fala de um “momento decisivo” para o Reino Unido e para o mundo, Phillip Lee acusa o Governo de Boris Johnson de “usar manipulação política, assédio e mentiras de forma deliberada”.

“Estou consternado com aquilo em que o Partido Conservador se transformou, com o papel que tem desempenhado a alimentar as divisões e o populismo, a desbaratar uma reputação para liderar que foi conquistada a muito custo, e a guiar o país como se tivesse palas nos olhos. Os meus valores não são esses. Não vou caucionar estas coisas, de forma implícita, fazendo parte delas.”

Cenário de eleições antecipadas

A saída de Phillip Lee simboliza a divisão interna no Partido Conservador, entre os que não se importam com um “Brexit” sem acordo com a União Europeia (como é o caso de Boris Johnson) e os que se opõem ao “Brexit” ou só admitem uma saída com um acordo.

Mas, na prática, terá poucos efeitos no futuro próximo do Parlamento, numa altura em que mais de uma dezena de deputados conservadores se preparam para votar ao lado da oposição.

Na noite desta terça-feira vai ser votada uma moção que, se for aprovada, dará origem à votação de uma proposta de lei na quarta-feira. E espera-se que ambas as votações sejam aprovadas com os votos da oposição e dos conservadores rebeldes.

Em causa está uma proposta de lei desenhada pelo líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, e pelos líderes dos outros partidos da oposição, que tem como objectivo tornar ilegal um “Brexit” sem acordo. Esta proposta tem o apoio garantido de mais de dez deputados do Partido Conservador, pelo que o abandono de Phillip Lee, na tarde desta terça-feira, não terá uma influência directa.

Durante a sessão de perguntas e respostas no Parlamento, Boris Johnson voltou a apelar aos deputados conservadores rebeldes que não aprovem a moção desta terça-feira e a proposta de quarta-feira. Se o fizerem, não só perderão a capacidade de votarem no Parlamento como conservadores, como serão afastados das listas nas próximas eleições.

Mais do que isso, Johnson acusa-os de “cortarem as pernas” ao seu Governo nas negociações com a União Europeia – segundo o primeiro-ministro britânico, a posição do Reino Unido será mais forte se Bruxelas souber que o “Brexit” sem acordo continua em cima da mesa.

A oposição e os conservadores rebeldes acusam Boris Johnson de mentir quando diz que as negociações com a União Europeia estão a avançar e querem garantir, com a proposta de lei que vai ser votada na quarta-feira, que o Reino Unido não sairá sem um acordo a 31 de Outubro.

Se a proposta for aprovada, como se espera, o primeiro-ministro será forçado a pedir um novo adiamento do prazo final do “Brexit”, de 31 de Outubro para 31 de Janeiro de 2020. Isto se não conseguir fazer aprovar no Parlamento uma nova versão do acordo até 19 de Outubro.

Esta terça-feira, Johnson garantiu que vai respeitar a votação do Parlamento, mas também voltou a afirmar que não vai pedir mais nenhum adiamento do prazo de saída à União Europeia. É esta aparente contradição que leva os analistas a dizerem que o desfecho mais provável é que Johnson tente convocar eleições antecipadas ainda esta semana.

Se for essa a resposta do primeiro-ministro, o Parlamento terá de aprovar a convocação de eleições com uma maioria de dois terços, o que pode não acontecer. Apesar de o Governo admitir marcar eleições para 14 de Outubro, e de os líderes da oposição se mostrarem dispostos a irem a votos, há deputados em todas as bancadas que temem que o Governo adie a data das eleições depois da aprovação no Parlamento.

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