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Donald Tusk: há um lugar especial no inferno para os promotores do “Brexit”

Impaciência e frustração dos líderes europeus salta à vista na véspera de novas reuniões com primeira-ministra britânica, Theresa May. Vários responsáveis de Bruxelas aconselharam-na poupar as milhas aéreas. Rita Siza www.publico.pt


O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, nunca esconde o seu desgosto com a saída do Reino Unido da União Europeia. Mas esta quarta-feira resolveu dar conta do seu desprezo pelos políticos que, “irresponsavelmente”, decidiram lançar um referendo sem se preocuparem com o seu resultado.

“Pergunto-me como será o lugar especial no inferno que está reservado àqueles que promoveram o ‘Brexit’ sem sequer terem um rascunho do plano para o concretizar”, disse Tusk, num extraordinário desabafo que resume bem a frustração e principalmente a irritação do lado europeu com o comportamento dos políticos britânicos nos últimos dois anos.

Em Londres, a líder dos Conservadores na Câmara dos Comuns, Andrea Leadsom, disse que as palavras de Tusk são “lamentáveis”: “O homem não tem maneiras. É extremamente lamentável, não ajuda”,  disse à BBC. Outros conservadores “brexiteers” insurgiram-se contra Tusk.

A 50 dias da data do “Brexit”, e com um tratado jurídico de quase 600 páginas para um divórcio amigável e uma saída organizada do Reino Unido já aprovado pelos restantes 27 países da União Europeia, os líderes europeus ainda continuam à espera que o Governo britânico enuncie um plano credível que permita ultrapassar os bloqueios políticos internos e avançar com a ratificação do acordo de saída — que Donald Tusk repetiu, pela enésima vez, que “não está aberto a renegociação”.

“Amanhã vamos ouvir a primeira-ministra e conhecer as suas sugestões sobre como vencer o impasse em que caiu o processo para a saída ordenada do Reino Unido da UE na sequência das votações recentes da Câmara dos Comuns”, disse o presidente do Conselho, referindo-se às reuniões de Theresa May na Comissão Europeia e no Conselho Europeu marcados para esta quinta-feira.

“Poupe nas milhas aéreas”

Vários responsáveis de Bruxelas aconselharam a líder conservadora a poupar as milhas aéreas e viajar apenas quando tivesse uma “solução realista” para lhes apresentar. O recado não podia ser mais óbvio: Theresa May escusa de vir pedir uma revisão do acordo de saída, ou a inclusão de novos anexos com alterações “juridicamente vinculativas” sobre o funcionamento do mecanismo de salvaguarda que garante que não há fronteira física entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte — o “backstop“, que os deputados britânicos consideram inaceitável.

“Mais uma vez lembro-lhe que a posição dos 27 é muito clara, e é aquela que está expressa nos dois documentos que foram negociados com o Governo britânico: o acordo de saída e a declaração política para a relação futura”, declarou Tusk, que tratou de desenganar Theresa May sobre o que pode esperar dos seus encontros em Bruxelas. “Não temos nenhuma oferta nova para lhe fazer”, observou, reforçando, para acabar com todas as dúvidas, que “não há aqui lugar para especulações”, nomeadamente quanto ao chamado “backstop” para evitar o retorno das fronteiras na ilha da Irlanda.

A primeira-ministra britânica ainda não disse exactamente quais são as “modificações” que procura para o backstop. Mas como frisou o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, quaisquer que sejam as suas propostas para “disposições alternativas”, estará a perder o seu tempo a explicá-las. “Não vamos abandonar a ideia do backstop. Essas tais disposições alternativas poderão ser úteis para discutir a relação futura, mas em caso algum poderão substituir o backstop”, declarou, cortando pela raiz a hipótese de uma vigência temporal ou uma retirada unilateral desse mecanismo. “Uma rede de segurança deixaria de o ser se pudesse ser destruída numa acção unilateral”, explicou.

O presidente da Comissão Europeia falou aos jornalistas no final de uma reunião com o primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, que esta quarta-feira se antecipou à visita da líder britânica às instituições europeias. Os seus contactos com Juncker e Tusk serviram para reforçar a ideia de que o backstop é uma peça fundamental do tratado jurídico do “Brexit” para assegurar o respeito pelos termos do Acordo de Sexta-feira Santa, que puseram fim a décadas de violência sectária na Irlanda, e a integridade do mercado único e por isso não pode ser descartado.

“Os acontecimentos em Londres e a instabilidade da política britânica nas últimas semanas vieram demonstram exactamente por que precisamos de uma garantia jurídica e de uma solução [para a fronteira] que seja operacional e possa perdurar”, disse Varadkar​.

Os três dirigentes europeus procuraram mitigar a sua intransigência em relação ao backstop com uma total abertura para acolher qualquer pedido da primeira-ministra britânica que tenha a ver com a relação futura entre a UE e o Reino Unido. “Se as intenções do Reino Unido para a relação futura evoluírem, a UE estará disponível para adaptar o conteúdo e o nível de ambição da declaração política, no respeito pelos princípios estabelecidos”, notou.

E ao mesmo tempo que confirmaram que estão a ser intensificados os esforços para o cenário de no-deal e o que Tusk descreveu como o “possível fiasco” das negociações, os líderes tentaram também desmistificar a ideia de que a UE está a atirar o Reino Unido para uma saída abrupta. “O no-deal não é uma ameaça da UE. O prazo para o ‘Brexit’ foi fixado pelo Reino Unido, e cabe ao Reino Unido mudar a data de 29 de Março para a saída, pedindo a extensão do artigo 50 ou até mesmo a sua revogação”, lembrou Leo Varadkar

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