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Governo britânico não vai esperar pelo “Brexit” para limitar entrada de imigrantes

Secretária do Interior apresentou propostas para dificultar a contratação de estrangeiros e para facilitar as deportações.


O Governo conservador britânico pretende limitar significativamente o número de autorizações de residência para estrangeiros que tencionem imigrar para o Reino Unido para estudar ou trabalhar, através de mudanças nas regras de recrutamento internacional das empresas ou da frequência de universidades ou cursos de língua inglesa.

O executivo liderado por Theresa May, que se mudou para Downing Street em Julho, no rescaldo do referendo que decidiu a separação do país da União Europeia, divulgou esta terça-feira alguns dos seus projectos para gerir as pressões colocadas pela imigração e travar a concorrência do exterior que considera que prejudica os britânicos no mercado de trabalho. O objectivo declarado é baixar o número de entradas no país, que se encontra no seu nível recorde de 327 mil novos residentes anuais.

Downing Street acredita que a perspectiva do “Brexit”reduzirá a atractividade do Reino Unido como destino de imigração, mas não está disposta a esperar antes de tomar medidas “Precisamos de fazer mais para que todos os britânicos possam ter todas as oportunidades que precisam na vida.

Só aceitaremos a vinda de trabalhadores estrangeiros quando for para colmatar falhas no mercado laboral, não quando for para ocuparem postos de trabalhos britânicos”, sublinhou a secretária do Interior, Amber Rudd.

O plano do Governo passa pela aplicação mais restritiva de medidas que já estão na lei, como por exemplo para facilitar a deportação de estrangeiros que sejam detidos pela polícia, e pela introdução de novos instrumentos de controlo migratório – concretamente, está prevista a constituição de um fundo de 140 milhões de libras (160 milhões de euros) destinado a “mitigar” a sobrecarga sobre os serviços públicos das áreas com maior concentração de imigrantes.

Como explicou Amber Rudd, Londres passará a deportar cidadãos da União Europeia que tenham cometidos delitos menores, e que ficarão impedidos de entrar no país por um período que pode variar dos cinco aos dez anos. “São crimes menores mas não deixam de ser crime, e os seus efeitos não deixam de ser sentidos pelas vítimas”, observou.

Outros exemplos avançados por Rudd dizem respeito à assinatura de contratos de arrendamento – “a partir de Dezembro, os senhorios que conscientemente aluguem propriedade a pessoas que não têm direito a viver no país estarão a cometer um crime e poderão ir para a cadeia” – ou à “vistoria” da actividade dos bancos, que “terão de fazer controlos regulares para certificarem que não fornecem serviços financeiros essenciais a imigrantes ilegais”, disse.

Uma das novidades que a secretária do Interior anunciou passa pela definição de novas regras que permitam reduzir o fluxo de estudantes estrangeiros não-europeus, cujo visto dependerá do ranking de qualidade dos estabelecimentos de ensino onde pretendem inscrever-se e também o tipo de cursos. Segundo Rudd, o actual sistema concede aos estudantes estrangeiros uma vantagem indevida no acesso ao mercado de trabalho, “independentemente dos seus talentos e da qualidade da escola que frequentaram”. “Temos de apoiar as nossas melhores universidades para que possam atrair os mais talentosos, e ao mesmo tempo impor regras mais duras para quem se candidata aos cursos de mais baixa qualidade”, defendeu.

Notícia corrigida com a data de tomada de posse do Executivo de Theresa May, que foi em Julho e não em Maio – 



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