Recém-publicado

A embaixatriz do Mangalarga


Por Cristina Rappa, SouAgro

Ruth Villela de Andrade dedica-se a promover a raça desse cavalo essencialmente brasileiro, com aptidão para a lida e o esporte

Ruth e a égua Charmosa, na ExpoPampa, em SP

Ruth e a égua Charmosa, na ExpoPampa, em SP

Em poucos minutos de conversa, nota-se que energia e entusiasmo é o que não faltam a Ruth Villela de Andrade,criadora de cavalos da raça Mangalarga e de gado de origem inglesa Hereford.
A devoção pelo Mangalarga está no sangue. Paulista de Casa Branca, Ruth descende da Família Junqueira, dos criadores da raça Mangalarga Marchador no Brasil. Hoje cria cavalos em seu haras em Tietê (SP), além de se dedicar a divulgar a raça em blogs, programa na TV e eventos.

Ela explica que a seleção do Mangalarga foi iniciada na Fazenda Campo Alegre, de propriedade de Gabriel Francisco Junqueira, o Barão de Alfenas, em Baependi, hoje município de Cruzília, no sul de Minas. A raça foi criada a partir do cruzamento de animais descendentes dos que vieram com a Corte de Dom João VI, no início do século XIX, quando era conhecida como Cavalo Junqueira. O resultado de um apurado trabalho de seleção foi um animal ágil, veloz, resistente e de marcha macia e cômoda, tanto para a lida, ou seja, o trabalho com o gado nas fazendas, como para o lazer.

Mais tarde o Junqueira virou Mangalarga e existem mais de uma

versão para a origem do novo nome. Uma delas é que seria o nome de uma fazenda no Estado do Rio de Janeiro que criava animais da raça. A segunda seria uma homenagem ao cavalo do Imperador Dom Pedro I, que se chamava Mangalarga; e a terceira diz respeito à forma do cavalo movimentar suas mãos, ou patas dianteiras, como se ele vestisse mangas largas.

Discussões sobre a origem do nome à parte, o fato é que a raça mais tarde se multiplicou em algumas linhagens. Um dos descendentes do Barão de Alfenas, Urbano Junqueira de Andrade, foi um dos responsáveis pela consolidação de uma das linhagens mais conhecidas do Mangalarga Marchador, a JB. Há outras, tanto em Minas Gerais como em São Paulo, para onde se mudou parte da família, como os ancestrais de Ruth.

Em terras paulistas, o Mangalarga cruzou com animais de outras raças, como o Luzitano, o Árabe e o Puro Sangue Inglês, e ganhou características próprias.

Para Ruth, no entanto, essa divisão não interessa ao progresso da raça. “Sou uma defensora do Mangalarga, seja ele o Marchador ou não”, diz ela que se define como uma “apaixonada por cavalos”.

Arte e o retorno aos cavalos

Ruth Villela de Andrade

Ruth Villela de Andrade

O amor pelos cavalos não foi o único na vida de Ruth. Aos dezesseis, deixou a casa materna para ir estudar em Ribeirão Preto, onde se formou em Comunicação Social. Logo despertava outra paixão, a pintura, levando-a a estudar Artes Plásticas e a uma bem sucedida experiência internacional, com exposições nos Estados Unidos, Japão, França e Itália, entre outros países.

A morte do pai, em 1997, no entanto, fez com que ela assumisse os negócios da família e retornasse às suas raízes: o cavalo Mangalarga. Como o marido Eduardo também era apaixonado pelo campo, foi fácil. “Mergulhei fundo e voltei para arrebentar”, conta.
Em seu trabalho de divulgação da raça, Ruth começou a participar de feiras internacionais de cavalos. “Sempre divulgando o nome do nosso cavalo, e sua aptidão para a lida e o esporte”, diz. “É um cavalo rústico; não um bibelô”, destaca a criadora.

Ela possui planos ambiciosos para o Mangalarga, cavalo essencialmente brasileiro, como sua exportação; e tem iniciado conversas com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), nesse sentido.

Outras iniciativas foram o lançamento dos blogs Mangalarga Style , Mangalarga Style News e o Estilo Campo, neste último caso falando sobre diversas raças de cavalos de sela brasileiros, além de eventos, moda e cultura relacionados ao animal. E ainda um programa de TV chamado “Fino Trato”, com a apresentadora Mara Leme, transmitido pela TV UOL às terças-feiras, às 11h.

Como uma espécie de embaixatriz do cavalo Mangalarga, ainda apóia com divulgação para arrecadação de fundos, dentro de um projeto batizado de Mangalarga do Bem, instituições que fazem o uso da equoterapia no tratamento de crianças com problemas motores ou de comportamento.

 

Anúncios

2 comentários em A embaixatriz do Mangalarga

  1. Excelente matéria!Parabéns a essa mulher guerreira!!!

    Curtir

  2. Obrigada pelo carinho , meu querido amigo Marcio B. Fasano . Bjs no coração

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: